sábado, 10 de fevereiro de 2018

O Candelabro




É noite! A escuridão cai pesada
na catedral da vida, e o silêncio,
reina absoluto, completamente intenso,
por toda a extensão da fria madrugada.

O relógio bate, os ponteiros correm,
nas vidraças pingos de chuva escorrem.
Em seu interior nada se ouve, mas eu,
ouço o ruído do silêncio no breu.

A fraca luz ilumina o salão.
Entregue aos livros fujo da solidão,
ou engano, não sei se a mim ou a ela,
na pálida claridade, triste, amarela.

Os ponteiros se cruzam! Ventos uivantes
invadem minha alma nesse instante.
Escrevo seu nome em minha imaginação
com letras forjadas em meu coração.

Volto-me à janela, percebo um vulto.
Talvez a solidão, seja meu fantasma oculto,
que tenta me dominar neste cenário macabro,
iluminado pela chama de um frio candelabro.


(Publicado pela primeira vez no livro : Ondas Poéticas – Darda Editora)


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